A
campanha "Um Novo Olhar Sobre a Carne Suína" foi criada pela Associação
Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) há dois anos, com o objetivo
de reestruturar a forma com que o produto é comercializado no Brasil.
Trata-se da proteína de origem animal mais consumida no mundo (cerca de
40 por cento do total, segundo a FAO). Enquanto a Áustria consome 73,1
kg por habitante, a Espanha 66 kg e o Paraguai 26, no Brasil, no ano
passado, a distribuição per capita de carne suína foi de apenas 13,1 kg
por habitante. Com um detalhe: desses, 9 kg referem-se a embutidos
(presuntos, lingüiças, salsichas) e apenas 3 kg equivalem à carne
fresca.
Diante dessa constatação e do fato de que o Brasil é hoje o quarto
maior produtor mundial e exporta a mesma carne para 76 países, a ABCS
contratou pesquisas para entender o fenômeno. Os brasileiros
responderam (46 por cento na primeira pesquisa, em 1995, e 49 por cento
deles, em 2005) que preferem o sabor da carne suína. Mas, na prática
dos 83 kg de carne consumidos no ano passado por cada brasileiro,
apenas 3k foram de carne suína fresca.
As razões
Os consumidores listaram cinco razões para justificar essa atitude:
preconceito, preço, conveniência, formato e associação com a obesidade.
"O preço ficou do nosso lado, na comparação com as outras carnes, diz o
presidente da ABCS, Rubens Valentini", e o preconceito é um sentimento
complexo que não se combate apenas com informação", conclui o
presidente.
Mudaram os hábitos
Dessa forma, a Campanha coordenada pelo diretor de Marketing da
ABCS, Fernando Barros, privilegiou os aspectos que mais tinham chances
de contribuir para uma mudança de atitude do cliente em relação ao
produto. No formato, a carne suína tem sido distribuída sob a forma de
pernis de 8 kg para assar em dois grandes eventos: fim de ano e páscoa.
Na parceria que desenvolveu com a Associação Brasileira dos
Supermercados (ABRAS), a ABCS identificou uma série de fatos novos
nessa cadeia de consumo que ajudam a estrangular a comercialização da
carne suína. Segundo dados da própria ABRAS, citando o IBGE, a família
brasileira diminuiu de tamanho, passando de 2,4 filhos por família em
1980, para 1,4 filhos, em média, hoje. Ao lado disso, a mulher
conquistou um novo papel na sociedade - trabalha fora, tanto quanto o
marido e não tem tempo de se dedicar à cozinha como antes. Outro fato
importante baliza o comportamento do consumidor: a empregada doméstica
deixou a condição de trabalhadora permanente para transformar-se em
diarista semanal, voltada apenas para o serviço pesado. Assim, os
alimentos da família são comprados semi-prontos ou prontos.
Mudou o produto
Essa conjuntura mexeu com a forma com a qual os brasileiros compram
comida e a preparam. Cada vez mais, precisam de uma carne já
pré-preparada, apresentada em volumes pequenos direcionados para uma
única refeição. Assim, sob este "Novo Olhar" nasceram as sugestões de
cortes desta campanha: strogonoff de carne suína, medalhões de filé
mignon, escalopinhos de alcatra, carne moída premium sem resíduo de
gordura e outros.
Os resultados
Os resultados foram surpreendentes: o pior deles, obtido nas
experiências realizadas em supermercados de seis estados brasileiros,
registrou um aumento de vendas da ordem de 50 por cento. Em Brasília o
incremento bateu a casa dos 210 por cento na comparação com o mesmo
período de vendas do ano anterior. Com este retrospecto, depois de São
Paulo, Minas, Brasília, Espírito Santo, Mato Grosso e Rio Grande do
Sul, a campanha "Um Novo Olhar Sobre a Carne Suína" chega a Curitiba e
se prepara para, logo em seguida, ser implantada em Goiás. A partir do
próximo dia 24 de julho, os novos cortes estarão à disposição da
população nas lojas do Supermercado Muffato, para degustação e
aquisição.
Fonte: Toda Comunicação