Com
a demanda mundial por alimentos crescente, o milho transgênico desponta
como uma boa opção para o produtor incrementar em cerca de 20% o
cultivo do grão. São três variedades liberadas no país, sendo que duas
podem evitar até 34% de perdas em função de ataques de lagarta. Com a
semente transgênica há também ganhos com o menor volume de herbicidas
aplicado nas lavouras. De acordo com o vice-presidente da Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e pesquisador da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Milho e Sorgo), Edilson
Paiva, mesmo se tratando de uma tecnologia que está no mercado mundial
há cerca de 12 anos, no país sua liberação só começou a ocorrer no
final do último ano em função de órgãos, alguns do próprio governo,
contrários à liberação das sementes transgênicas. Mesmo com a liberação
de apenas três variedades de milho transgênico - dois resistentes a
insetos e um a herbicida -, a adoção da medida veio tarde e,
conseqüentemente, trouxe atraso tecnológico e econômico para o país,
alertou o pesquisador.
"Os grupos contrários à tecnologia se caracterizam por não deixar que
ocorram melhoramentos. O prejuízo é para o agricultor brasileiro que é
impedido de utilizar tecnologias mais modernas que podem ajudar tanto o
homem quanto o meio ambiente", afirmou. "Carroças" - Conforme
observação do pesquisador, as variedades de milho transgênico liberadas
no país são verdadeiras "carroças", se comparadas com as existentes e
utilizados no mundo. Mas, mesmo assim, ainda poderão fazer diferença na
produção do país. "Países como Argentina, Estados Unidos e Canadá já
utilizam variações modernas com mais de um gen piramidado (várias
características transgênicas acumuladas em um mesmo tipo de grão). Em
um futuro próximo, culturas não transgênicas serão as exceções nos
campos", projetou.
De acordo com o Paiva, a avaliação e fiscalização de produtos
transgênicos no país são feitos com seriedade e apenas a produção de
soja transgênica nacional, que está no mercado desde 1998, responde por
cerca de 70% de todo o grão colhido no Brasil. "Trata-se de uma
oportunidade única e a não adoção de tecnologias confiáveis no campo
poderá trazer sérios problemas para o agronegócio do país", advertiu. A
partir deste semestre, é provável que já existam sementes de milho
transgênico no país para serem comercializadas, uma vez que pode-se
levar de um a dois anos para que sejam produzidas. "A diferença
tecnológica entre uma semente transgênica e uma convencional vai
refletir diretamente na qualidade e no volume da produção", afirmou. De
acordo com Paiva, existem no país mais de 200 tipos de milho. Se o
transgênico for utilizado em um manejo de ponta, a diferença de
produção poderá apresentar diferença de até 20% no volume. "Além de
evitar aumento de custos, reduzir a utilização de máquinas e
herbicidas, o insumo vai trazer mais rentabilidade para o produtor",
considerou.
Fonte: Diário do Comércio – BH