Mesmo
pressionada pela alta dos custos das matérias-primas e pela crescente
dependência dos aditivos importados, a produção da indústria de
alimentação animal deverá crescer 10,2% neste ano e atingir a marca de
59 milhões de toneladas. De acordo com o Sindicato Nacional das
Indústrias de Alimentação Animal (Sindirações), o setor deverá gastar
US$ 20 bilhões em matérias-primas neste ano, aumento de 53,8% frente os
US$ 13 bilhões do ano anterior. No primeiro semestre, a produção
atingiu 28,1 milhões de toneladas, crescimento de 12%.
"Até meados de 2007 tínhamos um "céu de brigadeiro" no setor. Mas o
aumento no preço do milho e dos aditivos acendeu a luz amarela", avalia
Ariovaldo Zanni, diretor executivo do Sindirações. Ele informou que só
o custo com milho subiu 100% no último ano. Alguns aditivos, como a
vitamina E, subiram mais de 300% no período. Ele disse ainda que é
necessário repensar a cadeia de suprimentos, pois a grande dependência
de aditivos importados pode prejudicar o setor.
"Acreditamos que daqui a 12 anos, se não houver nenhum imprevisto,
produziremos 150 milhões de toneladas de ração. Isso demandará 90
milhões de toneladas de milho e o dobro de suplementos", explica Zanni.
De acordo com o sindicato, o custo com aditivos deve saltar de US$ 800
milhões em 2007 para US$ 1,2 bilhão neste ano. A China fornece 30%
desse total ao Brasil.
Zanni acrescenta que para resolver esse gargalo é necessário que o
governo estimule a instalação de indústrias no setor e otimize o fluxo
de autorizações para importação dos aditivos. "A iniciativa privada fez
um acordo para fomentar o fluxo comercial da China para o Brasil. Mas
nesse mercado competitivo é necessário mais agilidade nas
autorizações", afirmou.
Érico Pozzer, vice-presidente da União Brasileira de Avicultura
(UBA), disse que o aumento da ração impacta diretamente o custo de
produção. "Ano passado o custo do quilo do frango vivo era de R$ 1,10.
Atualmente é cerca de R$ 1,80", disse. Ele informou que caso as
exportações de milho diminuam por causa da queda no câmbio, no segundo
semestre as despesas deverão recuar.
O analista da Scot Consultoria, Fabiano Tito Rosa, também enxerga
com bons olhos a possibilidade de maior oferta de milho no mercado. Ele
observa que o custo da ração para quem cria gado confinado é de R$ 5
por arroba, que atualmente é cotada por até R$ 90. "A redução na
pressão dos custos com suínos e frangos é importante porque esse tipo
de carne competiria menos com a bovina", disse.
Fonte: Gazeta Mercantil