Os
futuros da soja negociados na bolsa de Chicago despencaram cerca de 15%
no acumulado de julho, com a queda se acentuando nesta semana por uma
liquidação geral de posições compradas em commodities, o que tem
travado negócios no físico no Brasil, disseram fontes do mercado nesta
quarta-feira.
O movimento especulativo nos futuros, disparado pelo mercado de
petróleo em Nova York, que já caiu cerca de 10% no mês, também afetou o
milho de Chicago, que registrou desvalorização de aproximadamente 20%
no mesmo período.
"É uma queda para assustar, o tom virou baixista. Com essa atuação
dos fundos em várias commodities, o pessoal está limpando posições",
disse Steve Cachia, da corretora Cerealpar, no Paraná. "O pessoal está
saindo e cria uma bola de neve", acrescentou ele, lembrando que há
espaço para cair mais na soja, o principal produto de exportação do
agronegócio do Brasil, se não houver nenhum fato novo relacionado à
safra dos Estados Unidos, os maiores produtores e exportadores mundiais
da oleaginosa.
Segundo ele, o mesmo movimento especulativo que levou os preços
futuros para valores "exagerados" pressionou o mercado para baixo
"exageradamente" agora, travando as negociações no físico no país. "A
movimentação de negócios no mercado doméstico brasileiro continua muito
travada devido à falta de referencial de preços decorrente das fortes
oscilações em Chicago", concordou um relatório da consultoria AgraFNP.
Segundo a consultoria, nas praças do Centro-Oeste, o mês de julho
vem se consolidando como o de maior lentidão de negócios, em que pese
reste somente 10% da produção de 2007/08 para ser comercializada.
Realidade
Já a corretora Andréa Cordeiro, da Labhoro, também no Paraná, que
acabou de voltar de uma viagem aos Estados Unidos para verificar as
condições das lavouras e do mercado americano, afirmou que o recuo
deste mês trouxe a cotação da soja de volta à realidade. "Acho que a
gente precisava dessa janela. O mercado estava muito descolado da
realidade, justamente pela participação dos fundos", disse ela.
Para a corretora, depois dessas perdas acumuladas no mês, as quedas
começam a ficar mais limitadas, principalmente porque "grandes Estados
produtores americanos estão com soja muito exposta a intempéries
climáticas", depois do atraso causado pelas intensas chuvas na época de
plantio, em junho.
"Pelo que vi lá, as lavouras ao sul do cinturão produtor já estão
sofrendo por falta de chuva e com temperaturas elevadas", disse ela,
observando que, com o atraso na semeadura, as plantações também ficam
mais suscetíveis a geadas precoces em outubro, especialmente em Iowa.
Dessa forma, prevê que muita coisa pode acontecer no mercado de soja, e
também no de milho, durante o mês de agosto.
Fonte: Reuters