O Paraná é hoje o terceiro maior estado produtor de carne suína -
ficando atrás de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Passado o período
de restrições pelo episódio das suspeitas de febre aftosa no rebanho
bovino, o setor espera fazer saltar o volume de exportações de 12% do
total da produção para 20%, em dois anos.
A produção de carne suína no Brasil ano passado alcançou 3,005
milhões de toneladas, contra 2,943 milhões de toneladas em 2006. A
projeção para este ano é de que atinja 3,107 milhões de toneladas. As
exportações também estão aquecidas. Em junho deste ano, aumentaram
2,77% em volume e 39,14% em valores, em relação a igual período de
2007. O Brasil embarcou 51.731 toneladas e obteve uma receita de US$
147,49 milhões. Em junho de 2007, as vendas corresponderam a 50.339
toneladas e US$ 106 milhões. Os dados são da Associação Brasileira da
Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).
O Paraná, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), produziu em 2007 cerca de 440 mil toneladas e, só
nos primeiros três meses de 2008, já atingiu 106 mil toneladas. Desse
total, 39,4 mil toneladas foram para o mercado externo, sendo que os
maiores consumidores do Brasil e Paraná são Rússia, Hong Kong e
Argentina. De acordo com o vice-presidente administrativo da Associação
Paranaense de Suinocultores, João Batista Manfio, o consumo interno
está se mantendo firme, o que reflete em boas perspectivas para o
produtor. Hoje o preço pago pelo suíno é considerado atrativo pelo
setor.
O preço médio pago nesta semana pelo suíno em pé, segundo
levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria
de Agricultura do Estado (Seab), foi de R$ 2,90 o quilo. No entanto, em
regiões como Cornélio Procópio, Campo Mourão, Jacarezinho e Ponta
Grossa o preço ultrapassou R$ 3,20. "Se levarmos em conta um custo de
produção de R$ 2,90, a suinocultura vive um momento rentável para o
produtor", avalia Manfio. Há cerca de dois anos, quando o Paraná vivia
a crise pela suspeita de focos de aftosa, o preço pago chegou perto de
R$ 1,10, com custo de produção de R$ 1,70.
O Paraná tem um rebanho de 4,5 milhões de cabeças e, com
investimentos em tecnologias, genética, sanidade e manejo, tem
conseguido aumentar a produtividade. No entanto, Manfio afirma que
ainda existem alguns gargalos que precisam ser sanados. Entre eles, o
abate, comercialização e a própria produção. "É preciso fazer ajustes
para que seja possível atingir crescimento e atender à demanda", diz.
Produto ganha "nova cara" para atrair apreciadores
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos
(ABCS), dos 13,1 quilos de carne por habitante consumidos no Brasil,
apenas 3 quilos equivalem à carne fresca. O restante são embutidos,
como presuntos, lingüiças e salsichas. Além disso, o consumo total do
País é considerado baixo se comparado com outras regiões. Na Áustria, o
consumo é de 73,1 quilos por habitante; na Espanha, 66 quilos; e no
Paraguai, 26 quilos por habitante/ano.
Uma pesquisa feita pela ABCS comprovou que quase 50% da população
brasileira prefere o sabor da carne suína, no entanto, não consome por
fatores como preconceito, preço, conveniência, formato e associação com
a obesidade. Para tentar mudar essa visão, a entidade está
desenvolvendo uma campanha (Um Novo Olhar Sobre a Carne Suína), que tem
como objetivo reestruturar a forma como o produto é comercializado no
Brasil.
O diretor de Marketing da ABCS, Fernando Barros, conta que a
pesquisa ajudou a perceber que os hábitos dos consumidores mudaram e,
por isso, investiu-se em ações que contribuíram para uma mudança de
atitude do cliente também em relação ao produto.
Hoje a carne de porco é encontrada também em porções menores,
pré-pronta, acondicionada de forma mais atraente e com novos cortes,
como strogonoff, medalhões de mignon, escalopinhos de alcatra e carne
moída premium sem resíduo de gordura. A campanha, que já foi lançada em
seis estados e nesta semana chegou a Curitiba, tem registrado aumentos
significativos de vendas dos produtos nos supermercados.
Fonte: O Estado do Paraná