As
negociações para salvar a Rodada de Doha, um processo destinado a
liberalizar o comércio mundial, fracassaram, reconheceu nesta
terça-feira a representante comercial (equivalente a ministra do
Comércio) dos Estados Unidos, Susan Schwab.
As principais potências comerciais (Brasil, Austrália, China, Estados
Unidos, Índia, Japão e a União Européia) não chegaram a um acordo sobre
como e quanto abrir seus mercados agrícolas e industriais, enquanto os
países ricos deveriam reduzir seus subsídios.
Fontes européias confirmaram que a reunião terminou com um fracasso
porque os negociadores não conseguiram conciliar suas posições em nove
dias de negociação. Ministros de dezenas de países tentavam desde o
último dia 21 em Genebra chegar a um entendimento e, ao mesmo tempo,
defender seus interesses específicos, o que acabou sendo impossível de
conseguir perante a diversidade e amplitude das exigências de cada um.
O final da negociação foi precedido por acusações mútuas entre EUA,
de um lado, e China e Índia do outro. Schwab disse que em todos estes
dias houve claros momentos de aproximação entre os sete grandes países
negociadores, particularmente quando o diretor-geral da Organização
Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, apresentou uma proposta
discutida nos últimos dias. "Estávamos tão perto de poder realizar
isto (a Rodada de Doha)", lamentou Schwab. Depois continuou dizendo: "é
muito ruim que o projeto da sexta-feira (de Lamy) que negociamos não vá
se tornar realidade".
Cada um dos países participantes assegurou que tinha concedido muito
neste processo e, com este pressuposto, reivindicava contrapartidas
significativas de seus parceiros, o que foi afastando cada vez mais
suas posições. Embora tenha sido a questão da abertura de mercados
industriais que tenha feito temer nos últimos dias o colapso destas
negociações, foi a agricultura o que conduziu à crise final. Antes de
voltar à zona restrita onde aconteciam as reuniões, Schwab disse que
"não é o momento para dizer que a rodada está colapsando, os
compromissos se mantêm sobre a mesa" e se esperam "respostas
recíprocas".
Com a previsão de fracasso das conversas, o ministro do Comércio da
Nova Zelândia, Phil Goff, mantinha esperança de que as negociações
possam continuar em algum momento à frente. "Eu espero que o que foi
conquistado esta semana possa ser usado pelo menos como base para o
futuro", disse.
Mas o colapso nas negociações pode atrasar qualquer acordo global
sobre liberação do comércio por vários anos, alertam especialistas. As
negociações para um acordo comercial global começaram em 2001, logo
após os ataques de 11 de setembro, na expectativa de impulsionar a
economia mundial e ajudar os países mais pobres. O risco de mais anos
de atraso ocorre agora por conta da eleição presidencial nos EUA em
novembro e outros fatores. Washington se opôs a uma tentativa de Índia,
China e Indonésia de assegurar medidas para proteger seus agricultores
em caso elevação repentina nos volumes de importação de alimentos.
Mais cedo, o comissário europeu de comércio, Peter Mandelson, instou as
partes a buscar um acordo.
Fonte: Invertia