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29/07/2008 - Negociações da Rodada de Doha fracassam

Negociações da Rodada de Doha fracassam

As negociações para salvar a Rodada de Doha, um processo destinado a liberalizar o comércio mundial, fracassaram, reconheceu nesta terça-feira a representante comercial (equivalente a ministra do Comércio) dos Estados Unidos, Susan Schwab. 

As principais potências comerciais (Brasil, Austrália, China, Estados Unidos, Índia, Japão e a União Européia) não chegaram a um acordo sobre como e quanto abrir seus mercados agrícolas e industriais, enquanto os países ricos deveriam reduzir seus subsídios. 

Fontes européias confirmaram que a reunião terminou com um fracasso porque os negociadores não conseguiram conciliar suas posições em nove dias de negociação.  Ministros de dezenas de países tentavam desde o último dia 21 em Genebra chegar a um entendimento e, ao mesmo tempo, defender seus interesses específicos, o que acabou sendo impossível de conseguir perante a diversidade e amplitude das exigências de cada um.

O final da negociação foi precedido por acusações mútuas entre EUA, de um lado, e China e Índia do outro. Schwab disse que em todos estes dias houve claros momentos de aproximação entre os sete grandes países negociadores, particularmente quando o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, apresentou uma proposta discutida nos últimos dias.  "Estávamos tão perto de poder realizar isto (a Rodada de Doha)", lamentou Schwab. Depois continuou dizendo: "é muito ruim que o projeto da sexta-feira (de Lamy) que negociamos não vá se tornar realidade".

Cada um dos países participantes assegurou que tinha concedido muito neste processo e, com este pressuposto, reivindicava contrapartidas significativas de seus parceiros, o que foi afastando cada vez mais suas posições.  Embora tenha sido a questão da abertura de mercados industriais que tenha feito temer nos últimos dias o colapso destas negociações, foi a agricultura o que conduziu à crise final.  Antes de voltar à zona restrita onde aconteciam as reuniões, Schwab disse que "não é o momento para dizer que a rodada está colapsando, os compromissos se mantêm sobre a mesa" e se esperam "respostas recíprocas".

Com a previsão de fracasso das conversas, o ministro do Comércio da Nova Zelândia, Phil Goff, mantinha esperança de que as negociações possam continuar em algum momento à frente. "Eu espero que o que foi conquistado esta semana possa ser usado pelo menos como base para o futuro", disse.

Mas o colapso nas negociações pode atrasar qualquer acordo global sobre liberação do comércio por vários anos, alertam especialistas. As negociações para um acordo comercial global começaram em 2001, logo após os ataques de 11 de setembro, na expectativa de impulsionar a economia mundial e ajudar os países mais pobres. O risco de mais anos de atraso ocorre agora por conta da eleição presidencial nos EUA em novembro e outros fatores. Washington se opôs a uma tentativa de Índia, China e Indonésia de assegurar medidas para proteger seus agricultores em caso elevação repentina nos volumes de importação de alimentos.  Mais cedo, o comissário europeu de comércio, Peter Mandelson, instou as partes a buscar um acordo.

Fonte: Invertia


Written By: Grace
Date Posted: 7/29/2008
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