Os
dejetos suínos sempre foram considerados grandes fontes de poluição,
mas agora podem ser fontes de riqueza.Uma granja de suínos, além de
grande produtora de carne, pode constituir-se em excelente produtora de
energia, tanto para si, como para terceiros. Basta instalar um
biodigestor, que é o equipamento usado na produção de biogás, mistura
de gases – principalmente metano - produzida por bactérias que digerem
matéria orgânica em condições anaeróbicas (isto é, em ausência de
oxigênio). Sua atuação é a mesma de um reator químico, só que com
reações de origem biológica. A matéria orgânica utilizada na
alimentação dos biodigestores pode ser derivada de resíduos de produção
vegetal (como restos de cultura), de produção animal (como esterco e
urina) ou da atividade humana (lixo doméstico).
Equivalência energética
Um metro cúbico (1 m³) de biogás equivale energeticamente a :
1,5 m³ de gás de cozinha;
0,52 a 0,6 litro de gasolina;
0,9 litro de álcool;
1,43 KWh de eletricidade;
2,7 Kg de lenha (madeira queimada).
Produção brasileira
Há mais de 2 mil biodigestores já implantados em nosso país, mas
este número ainda é muito pequeno, se comparado apenas com as mais de
700 mil propriedades que produzem suínos no Brasil, sem contar as
demais fontes desta energia. Com o preços atuais dos derivados do
petróleo alcançando as alturas, o biodigestor volta a ser cogitado como
uma alternativa para a produção de energia das pequenas propriedades
rurais e comunidades do interior.
Produção de energia a partir dos dejetos suínos
Se considerarmos apenas a população suína, cuja produção de dejetos
é mais fácil de ser controlada, encontraremos hoje, no Brasil,
aproximadamente 38 milhões de animais. Cada animal produz entre 5 e 8
kg/dia de dejetos, entre esterco e urina, o que daria algo como 247
milhões de kg de dejetos/dia, ou 90,2 bilhões de kg/ano, que antes era
pura poluição. Contudo, se processada nos biodigestores, podem produzir
aproximadamente 900 milhões de m3 de gás metano/ano, equivalentes a 64
milhões de botijões de gás de cozinha. Dentre os vários tipos de
biodigestores, o do tipo indiano, por exemplo, para animais em galpões
de terminação com capacidade para 100 cabeças, produz 43,36 m3 de
biogás por dia o que equivale a 1,50 botijões de GLP de 13 kg/dia.
Assim, uma granja de 200 animais em terminação pode produzir o
equivalente a 2 botijões de 13kg/dia, ou 60 botijões/mês. Ao preço
atual de R$ 35,00/botijão, seria uma renda extra de R$ 2.100,00/mês,
apenas com o que antes era considerado lixo, valor que muitas famílias
urbanas não dispõe. Cada propriedade, assim, poderia converter-se em
micro-usina produtora de energia alternativa renovável.
Sustentabilidade financeira do homem do campo
Como estamos vendo, existe a possibilidade de geração de renda extra
para o suinocultor, além da produção do animal. A energia produzida a
partir de esterco e de urina pode movimentar um gerador de energia,
que, por sua vez, pode alimentar todos os equipamentos elétricos e a
gás da granja, desde a casa (bocais de luz, refrigerador, televisor,
computador, aparelhos de som, fogão, microondas, etc) até a própria
pocilga (terminais de luz, aparelhos diversos). Assim mesmo, com
certeza, haverá excedentes, que poderão ser comercializados. A
Companhia de Eletricidade do Paraná (Copel) e Itaipu Binacional já tem
estudos e projetos para aproveitar este potencial. Considerando que a
energia ("elétrica") é o que mantém o homem no campo e que cada pessoa
que vem para a cidade exige do poder público um investimento sete vezes
maior do que o de conservá-la no interior, este não é um assunto
desprezível.
Plataforma de Energia Renovável
Por estar próxima a uma grande área produtora de suínos, cujos
dejetos poderiam contaminar os afluentes e, ao longo do tempo,
comprometer o funcionamento das usinas, a Itaipu resolveu dedicar-se
com afinco a este estudo. Além de limpar os afluentes, a partir da
instalação destas micro-usinas, os técnicos concluíram que se poderia
também duplicar o aproveitamento da energia que hoje se gasta nas
pequenas propriedades. Como? Deixando de fornecer energia elétrica a
estas granjas e delas recebendo os excedentes produzidos, para
satisfazer as necessidades das pequenas comunidades urbanas, que hoje
consomem somente energia elétrica que, assim, poderia ser destinadas a
regiões mais longínquas. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos
(ABCS) e a Associação Paranaense de Suinocultores (APS) estão
colaborando neste estudo, que adquiriu uma grande importância
subitamente.
Fonte: Toda Comunicação