Traduzindo em cifrões, as perdas na soja no Brasil podem variar já
em 2020, de R$ 3,9 bi a R$ 4,3 bi, em função da redução de até 23,59%
de sua área de plantio ocasionado pelo aumento do calor. Em 2070, as
projeções indicam prejuízo de até R$ 7,6 bilhões/ano, com redução de
41% da área de plantio. Isso reduziria a área potencial atual de 2,79
milhões de quilômetros quadrados para 1,63 milhão em 2070. O café vem
em seguida com uma redução de área de plantio no País de 33% no cenário
mais pessimista, em 2070, com prejuízos estimados de R$ 3 bilhões. A
Bahia é o 3° produtor nacional de café. A terceira lavoura mais
prejudicada será a do milho (Bahia é 7° produtor), com prejuízo de R$
1,7 bilhão em 2070 e redução em 17% da área no Brasil.
O algodão (Bahia é 2° produtor nacional) vem em seguida, com déficit
de R$ 456 milhões e área reduzida em 16,12%. Já o arroz registrará R$
600 milhões de perdas, com um enxugamento de 14,19% da área. O feijão
(Bahia, 3° produtor nacional) terá perdas de R$ 473 milhões com redução
de 13,3% da sua área atual. A lavoura de girassol não teve perdas
econômicas avaliadas – o cálculo de redução da área atual é de 18,17%.
As duas lavouras beneficiadas com o aquecimento global, serão a
cana-de-açúcar e a mandioca. “A cana gosta de calor”, indica um trecho
do relatório, lembrando que luz solar aliada à umidade pode dobrar as
áreas propicias ao seu cultivo no Brasil.
Estima-se que a cana (rendeu R$ 17 bi em 2006 no Brasil) chegue
anualmente a R$ 20 bilhões em 2070, no pior cenário climático, o A2,
com um aumento de 118, 18% da área. A mandioca (Bahia, 2° produtor
nacional) também se adapta bem ao calor. O estudo prevê ganho de R$ 929
milhões no Brasil em 2070. A área atual deve aumentar 21,26%. As
mudanças climáticas provocarão um redesenho do zoneamento de culturas,
e o Nordeste será o mais afetado.
Fonte: A Tarde