Segundo Azevedo, líderes políticos estão mantendo contatos,
"sobretudo por meio telefônico", para tentar retomar as negociações e
identificar dois aspectos: se há uma solução para o problema das sas
salvaguardas especiais para os países em desenvolvimento (SSM) e se
haveria outros temas que possam também levar a um impasse. "Esse é o
objetivo dessas conversas: estamos tentando ver quais são as respostas
para essas duas indagações para ver se vale a pena a gente fazer mais
um esforço nas próximas semanas", disse.
O embaixador comparou seu papel de negociador em Genebra ao de um
maratonista. "Como negociador, me sinto como se estivesse correndo a
maratona da qual não se definiu ainda o percurso. Eles deram a partida
e você sai correndo, mas não sabe onde está a linha de chegada. Às
vezes você imagina que está depois daquela curva, mas quando faz a
curva, vê que ela não chegou ainda", definiu. "A Rodada de Doha só
morre quando o maratonista decidir sentar do lado da estrada e dizer:
'entreguei os pontos'. Enquanto estiver correndo, tenho a esperança de
que a reta de chegada vá aparecer. E é nisso em que estamos", disse o
embaixador.
Em entrevista coletiva, o embaixador afirmou que o problema para a
conclusão da Rodada Doha em Genebra foi político, concentrado nas
salvaguardas especiais para países em desenvolvimento (SSM nas sigla em
inglês). "As SSM foram um problema. A Índia não aceitou, a China teve
dificuldades também, e eram os dois países em desenvolvimento e
importadores e que defendiam as SSMs. E os exportadores - os Estados
Unidos, sobretudo - não aceitaram, assim como a Austrália".
Mas ele não acredita que esse problema seja definitivo. "Minha
impressão é que se tivéssemos mais quatro ou cinco dias em Genebra,
teríamos resolvia esse problema".
O embaixador não concorda com a idéia de parar as negociações agora
e iniciar uma nova etapa. "O que está sobre a mesa hoje não é pouco, é
bom; é um resultado que, do nosso ponto de vista seria benéfico para o
país. Se nós pudermos garantir esses resultados agora, seria muito
melhor do que apostar num cenário absolutamente incerto, que não sei
qual vai ser dentro de alguns anos e que pode resultar num pacote muito
pior do que o que tem hoje sobre a mesa".
Azevedo disse ainda que o Brasil continua negociando acordos
bilaterais com Índia, África do Sul, países do Golfo e da União
Européia, embora alguns desses acordos estejam condicionados à
conclusão da rodada. "Está no mandato negociador da União Européia que
eles só podem negociar uma área de livre comércio com o Mercosul quando
terminar a Rodada Doha".
Fonte: Agência Brasil