Sua presença ainda pequena em defensivos para soja e milho ajuda a
explicar por que a FMC, ainda que cresça com vigor em 2008, deverá ter
avanço inferior ao da média do mercado. O faturamento da FMC no Brasil
foi de US$ 356 milhões em 2007, e a meta é atingir US$ 415 milhões
neste ano, segundo o presidente da companhia para a América Latina,
Antônio Carlos Zem.
Se confirmada a projeção, o crescimento será de 16,5%. A indústria
nacional de defensivos espera uma receita total de US$ 6,8 bilhões,
afirma Zem, o que representará, se concretizado o prognóstico, um
avanço de 25% em comparação com o desempenho de 2007, quando o setor
movimentou US$ 5,4 bilhões.
Atualmente, os defensivos voltados ao cultivo de cana e algodão,
somados, respondem por 75% das vendas da empresa, enquanto milho e soja
são responsáveis por 18%. Em 2010, as proporções serão mais
equilibradas, afirma o executivo. "Queremos 30% para a cana, 30% para o
algodão, 30% para soja e milho e 10% para os outros produtos", disse.
A empresa está reforçando as vendas entre as cooperativas. Em março,
um time de 22 profissionais foi alocado para se dedicar diretamente ao
mercado de defensivos de soja e milho. O programa já consumiu
investimento de US$ 1,2 milhão e tem como meta uma maior regionalização
da atuação da companhia.
As mudanças da FMC não têm ocorrido apenas na estratégia de vendas.
A empresa, que tem feito investimentos periódicos de manutenção de sua
fábrica brasileira, também vai aumentar a capacidade da planta.
Localizada em Uberaba (MG), a unidade terá a capacidade elevada em 33%,
passando, até 2010, de 30 milhões para 40 milhões de kilolitros.
O aumento da capacidade da planta começou neste ano e deve
estender-se até 2010. Em 2008, o projeto consumirá entre US$ 3 milhões
e US$ 4 milhões. Ainda que a programação preveja conclusão do aumento
de capacidade em dois anos, os investimentos seguirão em curso até
2012, afirma Zem. "Além de manutenção, vamos investir em automação e
melhoria dos processos", diz. Na fábrica, a FMC faz formulações de
produtos próprios e também para outras empresas.
A companhia tinha planos de construir no Brasil também uma planta
para a fabricação de princípios ativos, que complementaria a unidade de
formulações. O projeto, no momento, foi deixado de lado, diz o
presidente. "O real, valorizado, pôs muita pressão sobre os custos, que
acabaram tornando o projeto inviável. Ele está em banho-maria", disse.
O local escolhido para a unidade, da qual sairiam "dois ou três"
princípios ativos, não chegou a ser revelado.
A oferta ainda tímida de crédito pelas tradings aos produtores, que
tem mantido em ritmo lento as vendas de insumos para a safra 2008/09,
não deve atrapalhar o avanço do segmento, avalia o executivo.
"Esperamos um crescimento vigoroso do setor", diz. "Espera-se para os
defensivos um aumento no volume de vendas, nos preços e na produção".
Fonte: Valor Econômico