Organizar os suinocultores para intervir na formação de preços do setor evitando que a ausência de informação sistematizada contribua para a queda dos mesmos, que vem sendo determinada por fatores estranhos ao mercado. Esse é o propósito da reunião convocada pelo Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, Rubens Valentini, para quinta-feira, 2 de fevereiro, em Belo Horizonte , na qual a entidade defenderá a adoção de ações coordenadas entre as regionais afiliadas para que estas tenham papel determinante neste processo. Até o final desta manhã, praticamente todos os Presidentes Regionais da ABCS haviam confirmado a presença no encontro.
Na Associação, prevalece a percepção de que o preço atualmente está sendo dirigido consideravelmente pela sensação experimentada pelo produtor de que na semana seguinte a situação poderá se deteriorar ainda mais. Vem daí a proposta de negociação em bloco, de maneira organizada. Na avaliação da entidade, é simplesmente inexplicável os suinocultores do Paraná estarem vendendo seu produto a R$1,20. Isto porque não houve aumento de oferta entre dezembro e janeiro, mas sim, unicamente, muita especulação em torno da possibilidade de fechamento do mercado russo.
“E, será que está fechado mesmo?” A pergunta é do Presidente da ABCS, que recorda dois fatos relevantes. Nos anos recentes, houve incidência da doença de aujeszky, no Paraná, e de aftosa, no Amazonas. Nas duas oportunidades o cenário era bem parecido e a Rússia acabou importando normalmente quando o mês de março chegou.
A trajetória acadêmica de Rubens Valentini passa exatamente por essa área. Ele tem um PhD em Economia Rural pela Universidade de Pordue, em Indiana, nos Estados Unidos. Não obstante, ele afirma que “nós já temos competência instalada dentro do sistema ABCS, entre as próprias lideranças do mercado, para coletar dados confiáveis capazes de oferecer ao suinocultor uma leitura mais apropriada do que está acontecendo”.
Os preços caíram vertiginosamente sem que se percebam razões objetivas de oferta e demanda que justifiquem a queda. Ou seja, além de não ter tido aumento significativo da produção, particularmente no que se refere ao mês de janeiro, as empresas exportadoras também continuam abatendo regularmente. Pior do que isso: na ponta do varejo, os preços para os consumidores não apresentaram variação importante. Existe, de fato, uma grande discrepância entre os preços praticados nas gôndolas e açougues e aqueles oferecidos aos produtores nas granjas.
O encontro será realizado na sede da Associação dos Criadores de Suínos de Minas Gerais (ASEMG), presidida por José Arnaldo Cardoso Penna. Na reunião, cada uma das entidades associadas levará sua visão sobre os principais fatores na formação dos preços primários do segmento. A ABCS está preocupada em criar barreiras de proteção o suinocultor contra movimentos de características meramente especulativas.
Fonte: ABCS