Friday, September 03, 2010
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Histórico
Histórico

Histórico da Suinocultura

A domesticação do suíno pode ter ocorrido de forma semelhante ao que acontece até hoje em Papua, na Nova Guiné.

Lá os nativos caçam porcos selvagens e criam os leitões capturados como animais de estimação, dentro das moradias. Na caça, por sinal, homens e cães agem como parceiros. Os maiores animais abatidos servem de alimentação aos humanos e os menores aos cães, enquanto os leitões são capturados vivos para serem criados nas aldeias, junto às famílias dos caçadores, ou seja, nativos e cachorros.

Na caça aos porcos selvagens os homens usam fogo, e os cães a tática dos lobos, seus ancestrais. As varas de porcos são localizadas e cercadas, e no combate que se trava a seguir, envolvendo fogo, lanças e o ataque de matilhas e cães, os caçadores muitas vezes sofrem baixas. Os maiores são literalmente devorados por humanos e cachorros e os leitões capturados vivos são preservados.

A verdadeira origem do suíno doméstico, como de outras espécies animais domesticáveis pelo homem, no entanto, continua gerando discussões, pois não há uma versão definitiva a respeito. Conforme renomados zoólogos, sobre a origem do suíno, um artiodáctilo monogástrico, pertence ao gênero Sus, há pelo menos, duas teorias com maiores números de adeptos.

Na primeira teoria, grande número de naturalistas aceita como procedência do suíno e do javali europeu, a espécie catalogada cientificamente como Sus scrofa feras, com base em fósseis encontrados por pesquisadores. Os defensores desta tese baseiam em três argumentos básicos:
a) caracteres de crânio entre todos esses animais;
b) fórmula vertebral idêntica aos do javali;
c) caracteres externos.

Já os defensores da Segunda teoria argumentam que a extrema maleabilidade e a fecundidade existentes entre todas as formas porcinas domésticas ou selvagens permitem concluir que as espécies derivam umas das outras. Foram encontradas, por exemplo duas espécies fósseis de gênero Sus. Por esta tese, o Sus indicios seria anterior ao Sus scrofa, com origem no javali europeu, e principalmente ao Sus vittatus, que seria descendente de espécies como o queixada e o tanto americanos.

Naturalistas renomados opinam pela qualidade das espécies, afirmando que o Sus scrofa e o Sus indicius, através de seus consecutivos cruzamentos, deram origem ao grande número de raças de hoje existentes, combinando, transferido e modificando as características originais dos animais. Justificando esta tese, afirmam que apenas a inclusão de 1/32 de sangue indicius num cruzamento com animal descendente da variedade scrofa seria suficiente para modificar a conformação do seu crânio.

Já quanto à aptidão à engorda, cruzando-se descendentes da espécie Sus indicius com o Sus scrofa, há uma melhora acentuada da capacidade deste último, inexistente anteriormente. De qualquer forma, hoje os estudos, com base em suas origens, aceitam a existência de três tipos distintos de suínos domésticos:
1) o tipo céltico, de perfil côncavo, orelhas longas, grosseiras e caídas, fonte larga e chata, da espécie Sus scrofa;
2) O tipo asiático, de perfil ultraconcavilínio, orelhas curtas e eretas, fronte plana e larga, a espécie Sus vittatus;
3) o tipo ibérico, de perfil subcôncavo, orelhas médias e horizontais e de fronte estreita, a espécie Sus mediterraneus.

Todos concordam também que a domesticação do suíno é antiqüíssima, ou de cinco mil anos antes de Cristo, e é creditada aos chineses. Há quem afirme, por exemplo, que o suíno asiático só foi conhecido pelos europeus depois de domesticado, quando foi trazido ao Ocidente pelos Árias. Como a domesticação e as espécies atuais são frutos de uma intensa diversificação porque passaram ao longo da história.

Na antiguidade, por outro lado, também estão as origens de mitos e polêmicas que cercam o consumo da carne suína. Moisés e Maomé, por exemplo, proibiam o uso de carne de porco na dieta humana, alegando que o produto era nocivo à saúde. Os gregos, porém, criavam suínos e os destinavam a sacrifícios consagrados as deuses Ceres, Martes e Cibeles. Para os cretenses eram também animais divinos, porque os consideravam como o alimento preferido do Deus Júpiter. O javali, por sua vez, era muito estimado na Gália e sua figura foi usada por muito tempo como emblema de moedas e insígnias.

Os romanos foram igualmente grandes consumidores de carne suína. Eles mantinham postos com grandes criações de porcos, que eram consumidos em Roma em grandes festins ou regularmente pelos nobres e o povo. Os ibéricos e gauleses também criavam muitos suínos e Carlos Magno prescrevia o consumo de carne de porco aos seus soldados e seguidores. Na época chegaram a ser editadas leis sáticas e borgonhesa que puniam com severos castigos os ladrões e matadores de porcos.

Desde a sua domesticação, porém, os suínos sofreram grandes transformações morfológicas e fisiológicas, em conseqüência das condições que viveram e das necessidades do homem, em relação ao melhor aproveitamento do animal. Exemplo desta transformação está no javali, antes um animal selvagem, que vivia na floresta e se alimentava de arbusto, pastos nativos, frutos e pequenos animais. Entre suas principais armas de defesa e ataque estavam os dentes, que evidenciavam para fora da arcada bucal, e sua robusta cabeça. Além disso, o javali era um animal muito veloz, que usada esta capacidade para fugir dos inimigos e predadores que não podia enfrentar.

O javali se caracterizava por membros dianteiro musculosos e fortes; corpo relativamente curto e musculoso, capaz de transmitir com rapidez os movimentos dos membros motores; tórax profundo e largo, com ampla capacidade de abrigar o coração e os pulmões. Para as lutas ou fugas em alta velocidade pela floresta, necessitava de um coração forte para levar o sangue oxigenado aos músculos dois membros locomotores. Sua cabeça era pesada e forte , muito bem plantada no pescoço e representava uma de suas principais armas de defesa. O javali, portanto, era uma animal possuidor de uma frente muito forte - cabeça, tórax e membro anteriores, enquanto o posterior era leve e tinha membros com fracas massas musculares.

O porco selvagem possuía 70% de massa anterior e 30% de posterior, o que é o inverso do que acontece com as melhores raças de suínos criados na atualidade. No javali e outros animais selvagens, a parte anterior, onde as carnes são de menores valores, é que era a mais rica, enquanto a parte posterior, com a domesticação, o javali não necessitava mais procurar sua alimentação na floresta e não necessitava mais procurar sua alimentação na floresta e não possuia mais inimigos dos quais necessitava fugir, com exceção do criador que o abatia mais tarde. A transformação do porco selvagem começou quando ele passou a viver ao redor das habitações dos homens e depois em chiqueiros fechados, recebendo toda a alimentação que necessitava. Dessa maneira o suíno foi adquirindo uma nova forma. Foi tomando o formato de um paralelepípedo, de comprimento pequeno ou médio, com uma grande papada na cabeça e quartos traseiros mais amplos do que tinham os seus ascendentes selvagens. O perímetro toráxico foi sendo reduzido com a vida sedentárias e o coração e os pulmões foram envoltos em uma grossa camada de gordura. Assim, a criação do suíno se expandiu, porque era o animal ideal para o homem, já que lhe fornecia grande quantidade de gordura, além de carne. Foi esse o período do porco tipo banha, que se estendeu desde o início do século XX. A massa de carne e gordura do suíno se dividia entre 50% na parte anterior e 50% na posterior.

Poucos eram os criadores que se preocupavam com os problemas da criação rudimentar do porco tipo banha, como o seu aproveitamento entre os 12 e 18 meses de idade, o que resultava no acúmulo de grandes quantidades de gordura e exigia maiores gastos com alimentação e instalações para o abrigo dos animais. Como a capacidade de transformação do suíno decresce a partir do sétimo mês de idade, era necessário melhorar os animais e então surgiu o porco tipo carne, abatido aos cinco ou seis meses de idade, pesando de 90 a 120 quilos, com massas musculares posteriores, mais ricas em carne, o que lhe garante maior valor no mercado e maior rendimento ao criador. Hoje, na verdade, se abate também leitões do tipo carece, com o objetivo de oferecer carne ainda mais tenra e saborosa aos consumidores. Os leitões e animais adultos das melhores raças, inversamente ao que acontecia com o javali, concentram 70% de sua massa muscular na parte posterior e apenas 30% na parte anterior.

Assim, a suinocultura se expandiu para o mundo inteiro, com exceções de alguns países da África e do Oriente Médio, porque o islamismo proíbe o consumo de carne dessa espécie. Na América, foi o descobridor do continente, o navegador Cristóvão Colombo, quem introduziu os primeiros animais, em 1493, na região de São Domingo. Dessa ilha, logo foram levados para a Colômbia, Venezuela e Equador, se espalhando por todo o continente americano. No Brasil, os primeiros suínos chegaram ao litoral paulista em 1532, trazidos pelo navegador Martim Afonso de Souza e logo em seguida à Bahia.

 

 

Classificação Zoológica do Suíno

 

Reino: Animal ( os animais de forma coletiva )
Ramo ou Filo: Chordata ( um entre mais ou menos de vinte e um tipos do reino animal em que existe um espinhaço ou rudimento de espinhaço, a corda dorsal )
Classe: Mammalia ( são animais mamíferos, de sangue quente, onde as crias alimentam,-se por um período variável de uma secreção das glândulas mamárias da mãe )
Ordem: Artiodactyla bunodontes ( de unhas pares )
Sub-Ordem: Ungulados ( unhas nas extremidades dos dedos )
Família: Suidae ( compreende os suínos domésticos e selvagens )
Gênero: Sus
Espécies: Sus scrofa e Sus vittatus

Fonte: Home-page da Associação Paranaense de Suinocultores ( APS )